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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

IMHO - Um modelo econômico inviável

Estava pensando aqui com meus botões que, o modelo econômico atual, das transnacionais "globalizadas" é absolutamente inviável. Especialmente porque ele só funciona se as corporações forem criminosas.

Explico melhor: Chegou-se ao ponto em que, para que uma empresa transnacional consiga manter preços acessíveis ao redor do globo e gerando lucro de forma a manter a produção em massa, é necessário adotar uma ou mais das seguintes práticas criminosas:

a) Trabalho escravo ou semi-escravo. Quase toda a produção industrial globalizada de hoje é feita nos países asiáticos onde não existe direito trabalhista, onde as pessoas trabalham em condições sub humanas, onde até as crianças são empregadas na produção, remetendo ao início da revolução industrial. Na agroindústria, isto é pior ainda. Infelizmente, nos países latinoamericanos a escravidão é muito mais comum do que se pensa.

b) Embotamento criativo. Não é necessário uma boa idéia. Todos têm as mesmas idéias meio que ao mesmo tempo. O importante é roubar para si a idéia e lançá-la no mercado antes do outro. Até na indústria cultural isto ocorre. São massificados os mesmos temas, ninguém sabe quem roubou de quem.

c) Vale tudo político. O importante aqui é fazer lobbies, subornar políticos, eleger um executivo para algum cargo público, construir carreiras políticas convenientes, destruir carreiras políticas inconvenientes.

d) Destruição da liberdade de imprensa. Pagar a publicação das notícias que interessam, pagar a publicação de notícias falsas, disseminar notícias que levem a determinado consumo, ou que desestimulem o consumo da concorrência. Impedir que determinados movimentos tenham espaço na mídia, tirar o impacto de determinadas ações da sociedade.

e) Concorrência ilusória. Em nome de um discurso falso de que existe livre concorrência, fazer cartéis para simular concorrência entre as empresas (quando na verdade, estão apenas dividindo entre si o mercado), sabotar de maneira criminosa os concorrentes, impossibilitar a entrada de pequenos concorrentes no mercado.

f) Envenenamento da ciência. Pagar a publicação de pesquisas tendenciosas, pagar a não publicação de pesquisas desinteressantes (mesmo que isto possa custar a vida de alguém). Enfim, manipular a produção científica através de verba e corte de verba, ou até de intimidação dos cientistas.

g) Matar para lucrar. Ah, sim, é claro que matar também vale. Seja incentivando a realização de conflitos armados para aquecer uma industria armamentista transnacional, seja para efetivamente eliminar a concorrência verdadeira, seja para eliminar aqueles que advogam contra os métodos supracitados. Vale também deixar que as pessoas morram em nome de vender mais de algum produto.

Felizmente, este modelo eocnômico não se sustenta e vai mudar. Possivelmente, voltaremos para algum tipo de produção mais localizada, porém com a possibilidade de conexão global que temos hoje.

O interessante é que foi muito importante a existência do modelo capitalista predatório global, pois a interconexão incrível que temos hoje foi conseguida por conta dele.

É esta mesma conexão que permitirá que a sociedade se estruture de outras maneiras. Espero que de maneira mais justa e igualitária.

É fácil ser comunista numa cobertura de frente pro mar...

12 comentários:

  1. Muito bom.Tudo isso é possível dentro de governos corruptos e ineficientes. Aliás, plageando o grande escritor George Orwell na sua obra prima 'A revolução dos bichos', todos os comunistas querem morar na casa do fazendeiro.Christian Cedrid

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  2. Oba!!! O primeiro comentário.

    "A Revolução dos Bichos" (Animal Farm) é um dos meus livros favoritos. Eu li quando tinha uns 11 anos e foi tipo nirvana. :)

    Exatamente, todos queremos morar na casa do fazendeiro, mas será que a qualquer custo? Todos queremos ficar aqui tomando Nescau (alguns preferem whisky) olhando os barcos entrando e saindo da Baía da Guanabara. É fácil pensar em igualdade se isso significar ficar todo mundo ficar numa boa.

    Mas será que o dinheiro e o conforto material extremo ainda são tão importantes assim?

    Banzai, tomodachi!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Eba, mais um blog! E com autorização pra polemizar... Perfeito.

    Também é fácil ser comunista em um hotel de Paris. Mas eu vou resistir à tentação dessa vez por causa de uma conversa da minha irmã com a amiga dela cubana que mora por aqui. Aparentemente, a vida em Cuba é um horror.

    Concordo que o modelo econômico atual não é sustentável. Mas você acha que algum modelo econômico será sustentável por longo prazo? Eu acredito que estaremos sempre em evolução (ou retrocesso). Este modelo atual está aí há um bom tempo e ajudou a promover o desenvolvimento econômico de muitos países, ainda que sem muito respeito a direitos laborais e à preservação do meio ambiente nos países menos desenvolvidos. Também ajudou a promover algum tipo de democratização/globalização da tecnologia e portanto trouxe melhorias à qualidade de vida de boa parte da população mundial. Se esse processo fosse interrompido hoje: 1) os países subdesenvolvidos provavelmente continuariam na mesma situação; 2) os países em desenvolvimento perderiam empregos e retrocederiam; 3) os países desenvolvidos talvez evoluíssem pra um modo de vida mais sustentável, sem tantos excessos. Não funciona pra todo mundo... Agora que os países desenvolvidos estão precisando gerar mais empregos, se eles começarem a fechar fábricas nos países subdesenvolvidos para focarem na "produção local", isso vai ser uma evolução ou um retrocesso?

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  5. Mais um comentário... Na minha humilde opinião de boteco e absolutamente leiga em qualquer outra discussão de geopolítica, o problema não é a globalização e nem a trans-nacionalidade das corporações, o problema é que estas fazem o que querem. E quem deveria impedir que elas façam o que querem? Os governos locais, é claro, mas eles não têm muito poder de negociação. Quem mais? Entidades internacionais tipo ONU etc? Pouco eficazes. Alguém mais? Bom, tem os consumidores.

    Onde começa a mudança?
    a. Nos governos locais que começam a exigir melhores condições para os trabalhadores e meio ambiente? As empresas sempre encontram um outro país mais desesperado pela entrada de recursos...
    b. Nas empresas que resolvem ser boazinhas de um dia pro outro? Impossível, elas têm que sobreviver à concorrência.
    c. Nos consumidores que optam por comprar produtos de empresas legais (fair trade?) ainda que seja necessário pagar mais por isso? Bem poucas pessoas que eu conheço estão dispostas a fazer isso. Mas deve ser a melhor opção.

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  6. Não sei por onde começar a curtir muito o seu comentário, Beta! :D

    Pois é, hoje só seria possível uma retração de mercado com progresso para as comunidades graças a todos os avanços possibilitados pela massificação da produção em escala global.

    Concordo que a opção "c" seria a mais viável.

    De qq maneira, acho que todo o cerne do problema é uma questão de valores. Enquanto o dinheiro for mais importante do qualquer coisa, enquanto ele justificar a não adoção de determinadas ações, vai sempre existir esse desamor para com o próximo e para com o planeta.

    O que vc acha?

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  7. Concordo totalmente, Floris. A primeira parte do problema são os valores pessoais ou sociais, e a segunda parte é a incapacidade das pessoas de agirem de acordo com o que acham certo.

    Você já leu "O Valor dos Valores" do Swami Dayananda Saraswati? Um dos melhores livros que eu já li.

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  8. Ah, depois escreve aí o que você acha do Ahmadinejad passeando pela América Latina e se a Dilma deveria recebê-lo...

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  9. É um bom tema, Beta! Penso muito a respeito dos cidadãos que vivem em ditaduras e que são representados por pessoas horríveis na política externa.

    Eu também tô pensando em falar sobre intervenção internacional no desenvolvimento do Norte, Nordeste do Brasil (específicamente da Belo Monte, mas extendendo para as conexões viárias/ferroviárias/hidroviárias com o Pacífico).

    Tô pensando num post sobre agricultura orgânica e reforma agrária.

    Acho que eu vou fazer sempre uma pesquisa com os 17 leitores deste blog para escolher o tema. O que vc acha, Beta?

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  10. Eu acho que pra geopolitizar no boteco, qualquer tema vale.

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